19 março 2010

Bolhas em Gotas

Espalmados os dedos sobre o vidro
fazendo vapor e desenhando um sorriso
Despede-se.

Ver sem tocar
Dentro da bolha
amor mofado
cheira mal.

Secaram-se as relações,
desfizeram-se as ilusões
Segue o ex-amor
Cabeça e malas feitas.

E dentro pinga a goteira
"E se..."
"E se..."

14 março 2010

Poema de Xadrez (propaganda Lost AXN)

Ouvi este poema em uma propaganda de "Lost" na AXN esses dias. Como gosto de xadrez, resolvi dar uma "gloogleda" e achei o poema abaixo (em inglês).
Parfec e que a versão original é de um canal espanhol, com o poema traduzido para o inglês.

Não consegui descobrir a autoria ou o título, mas tenho a vaga impressão de ter ouvido o poema antes (mas posso estar errado, falando francamente). Se alguém souber, me avisa.
Consegui a versão em inglês. Meu espanhol é ruim e não consegui ainda a versão espanhola (por escrito).

Xadrez (titulo provisório)

"Says the wise man;
Life is a chessboard of nights and days.
Where God, using men as his pawns, plays.
Hither and thither moves and checkmate and slays.
And one by one, he places them back in the box.
For each pawn has its fate, as does each player, as does God.
Fate Will Be Met.(*)
--
*: A frase "Fat Will be Met" pelas fontes que encontrei (todas relacionadas ao seriado), não deixa claro se é parte do poema ou parte da propaganda (sem contar que o poema pode ser apenas propaganda).

Também não encontrei (ainda) o autor do poema original (se alguém souber, me avisa).

Um video desta propaganda pode ser assitido em:
(espanhol): http://www.youtube.com/watch?v=9p4AwxgDKlA&feature=related

Em inglês:
http://www.youtube.com/watch?v=MXHdtQMaWmU&feature=related
(não testei esse link pois estava demorando muito no youtube)

12 fevereiro 2010

O Filho do Pai

O novo Messias, o novo Pai dos pobres,
Filho do Brasil, lamenta a prisão dos vis
Sensibiliza-se, avisa, fala, anuncia.

Dá apoio ao Aiatolá, reconhece os tiranos
"Eles também são gente".
E inumano, ele, torna-se mais e mais.

O porco está de pé,
Enebriado de si mesmo.
Esculacha, manipula,
deixa tudo como está.

Beija os Collors,
Acaricia os Sarney,
Grita "corintchans"
em discursos vazios.

E a estrela, pálida,
repetindo Bééé,


Perderam a noção?
Perdemos.
Todos.

18 dezembro 2009

Messias Cyber

A manhã se levantou, meio remelenta
E me encontrou meio despido.
-Ressucite!- Gritou.

Na madrugada andei sobre Gin
E multipliquei cigarros.

E ao meu lado, uma Madalena qualquer,
dormindo com rosto de virgem.

Vide Bula

As pilulas da sabedoria não curaram a ignorância.
As pílulas do Sexo, não promoveram o amor.
As da felicidade não salvaram ninguém.

A Soma de Huxley não subtraiu o horror
Comprimidos, oprimidos, enebriados
Viciados, apavorados.

Em um labirinto de cristal
Os sonhos vem lentamente.
Gritamos aos surdos.
Quem tem um ouvido é ignorado.

E murcham as coisas, as flores,
os ânimos
Em dez vezes no cartão.
Com juros.

13 dezembro 2009

Presépio...

(Pedro Vitiello)
Em Belém...

Devidamente acomodados para dormir, o menorzinho pede ao avô:
-Conta de novo aquela história? Aquela de quando você nasceu?- Era época de tosar carneiros na região e os pais costumavam estar ocupados demais a ponto de preferirem deixar os filhos ao cuidado do velho ranzinza. Pelo menos com os netos ele tinha alguma paciência.O patriarca recomeça então a já conhecida trilha da história.
-Bom...deixe me ver aonde eu estava mesmo?
-Na manjedoura! Respondem os dois netos em conjunto.
-Isso! Manjedoura, aham... – prossegue- lembro-me bem agora. Era final do ano e era uma das noites mais bonitas que meus pais já tinham visto. Sabem, desde que nasci sabia que era especial. Eles estavam acomodados junto aos animais do estábulo, todos juntos porque estava especialmente frio. E minha mãe, sua corajosa avó, que não dispunha dessas coisas modernas de hoje em dia disse ao seu bisavô:
-Ò, é agora! Traz aquele balde de água aqui e não dá vexame e nem desmaia, tá legal?
-Meu pai- continuou enquanto fazia um ar compenetrado- então fez o que devia, que era basicamente, não interferir nessas coisas femininas, buscou água e ficou sem dar um pio, acompanhando a cena. Lá fora pela janela, dizem, no momento que abri o maior berreiro uma estrela bonita e brilhante surgiu no céu anunciando meu nascimento (Não é a toa que vocês são bonitos, sabem? Puxaram a mim).
Bom, de qualquer forma eu nasci peladinho, chorando que nem um bezerro desmamado e bonito! No meio de toda aquela palha, é bem verdade, meu pai ainda teve um pouco de dificuldades em me achar para romper minha placenta com os dentes, mas entendam, esse tipo de coisa, a Luz de lampião é complicado mesmo. Já minha mãe, bem...ela comeu minha placenta com gosto (essa era a parte que os cordeirinhos faziam a cara enjoada, já meio ensaiada).
Tão importante foi meu nascimento que vieram três cavalheiros trazendo ouro, incenso e mirra uns dias depois para dar de presente. Deixaram lá com o pequenininho humano, mas em um lugar onde era fácil para mim alcançar.
-O que é ouro, vovô?- Perguntou o maiorzinho.
-É uma coisa amarela, molenga e com gosto horrível.
-E o que é Incenso, vovô?- Perguntou ensaiado o menorzinho.
-É um palitinho cheiroso, preto e de gosto bom.
-E o que é Mirra vovô?- perguntaram em um balido os netos.
-Não faço a mééééénor idéia!- respondeu, arrancando risinhos contentes.
Deu um beijo lambido em cada um dos netos, afofou sua própria lã e deixou ambos desabarem de sono, finalmente vencidos pelo cansaço.
Enquanto isso, a vaca ao lado faz uma cara de presépio. Melhor não discutir o assunto àquela hora. Ainda mais com um cordeiro de Deus.

21 novembro 2009

Bagagem

Se levassemos todos os amores
As desilusões, as gostosuras
Levassemos não o apenas
"indiscutivelmente essencial"
Para que viajaríamos?

Pé na estrada é sempre uma cruzada
A busca ao nosso graal?
Indo aonde nenhum homem jamais esteve
Peregrinações, andanças, viagens...

Não levamos todas as coisas
Porque não vamos atrás de algo.
Vamos encontrar a nós mesmos.
Pois a unica certeza ao viajarmos
É que nós estaremos lá no fim.

No fim do arco-íris
Atrás do horizonte
Do outro lado do mundo
Mudamos o mundo a nossa volta.
E o que permanecer seremos nós mesmos.
Simples assim.