29 outubro 2010
Bocadinhos
Amavam-se Julio e Roberta
Como se fossem bombons da caixa
Repartiam-se, se desembrulhavam
Berta queria ser uma de cereja,
Surpreendentemente doce
Sóbria, sem licor.
E ainda assim...
Roberta queira ser cereja
Vermelho pulsante
Uma surpresa suculenta.
Sempre.
E ele se via como um trufa,
Puro cacau
Docemente amargo
Gosto prolongado.
Um dia Julio exparimentou
Se lambuzar em outra freguesia.
E a policia o encontrou
Em uma caixa enfeitada
Devorado, ao nacos
Escorrendo seu recheio pela calçada.
De Roberta, nunca mais se soube.
14 julho 2010
A Gota D´água
Pendurando a tristeza
atrás da porta
Junto com os trocados
e os restos de dignidade
Ele quase chegou em casa.
Nenhuma novidade na TV,´
Nada na validade na geladeira
Esperança alguma na carteira.
As mesmas noticias de sempre
no jornal.
Não é o que se poderia chamar
De volta ao lar.
Ao lado os vizinhos discutiam futebol.
Como se fosse política.
E politica, como se fosse futebol.
E a torneira, pingando.
Pingando.
Pingando...
atrás da porta
Junto com os trocados
e os restos de dignidade
Ele quase chegou em casa.
Nenhuma novidade na TV,´
Nada na validade na geladeira
Esperança alguma na carteira.
As mesmas noticias de sempre
no jornal.
Não é o que se poderia chamar
De volta ao lar.
Ao lado os vizinhos discutiam futebol.
Como se fosse política.
E politica, como se fosse futebol.
E a torneira, pingando.
Pingando.
Pingando...
07 junho 2010
Kolgate
Galgava as ruas com quinquilharias
Vendendo de tudo,
e ninguem comprando nada.
Abria os dentes para portas fechadas
Um doce olhar contra o azedume.
Quicava de porta em porta em porta.
Subia e descia, fazia-se ossos ambulantes
Um dia João resolveu vender seu riso
Para um anúncio de chicletes.
Não ficou rico, nem famoso
Quicando.
Morreu cariado em uma calçada
Surrado, por entre os dentes.
Vendendo de tudo,
e ninguem comprando nada.
Abria os dentes para portas fechadas
Um doce olhar contra o azedume.
Quicava de porta em porta em porta.
Subia e descia, fazia-se ossos ambulantes
Um dia João resolveu vender seu riso
Para um anúncio de chicletes.
Não ficou rico, nem famoso
Quicando.
Morreu cariado em uma calçada
Surrado, por entre os dentes.
"S@iberp@nque"
O cheiro de metal por todos os lados
lembrava o gosto do sangue.
Ambos oxidados e avermelhados.
Seus olhos agora eram de vidro
Pernas de aço, Nervos de Silício.
O alimento rico em fibras
Mas o coração ainda em frangalhos.
lembrava o gosto do sangue.
Ambos oxidados e avermelhados.
Seus olhos agora eram de vidro
Pernas de aço, Nervos de Silício.
O alimento rico em fibras
Mas o coração ainda em frangalhos.
14 maio 2010
Dor de Cotovelo (ou, "Entrando nos Eixos")
Não tendo mais Gabriela
Abraçou Sergio os joelhos.
Pingando por dentro
foi seco ao telefone.
As tralhas se amontoavam
No canto da sala.
E faziam dele um traste.
-Busque suas roupas
Os sapatos, as fotos!
-Os teus discos, o mp3,
Todos badulaques!
-Deixe que se entupam
com seu novo amor.
-Abra espaço,
Se engasgue de felicidade...
E, pondo a dor nos trilhos
Deixou correr.
Trincou os dentes.
Viver.
Abraçou Sergio os joelhos.
Pingando por dentro
foi seco ao telefone.
As tralhas se amontoavam
No canto da sala.
E faziam dele um traste.
-Busque suas roupas
Os sapatos, as fotos!
-Os teus discos, o mp3,
Todos badulaques!
-Deixe que se entupam
com seu novo amor.
-Abra espaço,
Se engasgue de felicidade...
E, pondo a dor nos trilhos
Deixou correr.
Trincou os dentes.
Viver.
Farofas
Foi a foice
à face
Facilmente
Se fincou
Fundo.
Finado, falecido
Enterrado, carcomido.
Agora é...
Alface!
à face
Facilmente
Se fincou
Fundo.
Finado, falecido
Enterrado, carcomido.
Agora é...
Alface!
Veredas
Sonhar é despertar aos poucos
Para a floresta que me habita.
Ter borboletas no estomago
E vagalumes faiscando nos dedos
Outrora tão firmes, tão seguros.
Desejo o Desejo.
O calor que me queima a garganta.
Sempre ferindo o sentimento
Do grito, o parto
Da dor do despertar.
Em um castelo de marfim
Impossivel, intangivel
Uma nuvem, distante, onde
Cuida do jardim, a princesa
E da princesa, o jardim.
Enquanto gela a veia,
E se evaporam as palavras
A testa se incendeia
A coragem se desfaz.
Gagueja a idéia
É falida a sensatez.
Cavaleiro sem paz
Em uma guerra perdida,
Perdido, sem voz.
Para a floresta que me habita.
Ter borboletas no estomago
E vagalumes faiscando nos dedos
Outrora tão firmes, tão seguros.
Desejo o Desejo.
O calor que me queima a garganta.
Sempre ferindo o sentimento
Do grito, o parto
Da dor do despertar.
Em um castelo de marfim
Impossivel, intangivel
Uma nuvem, distante, onde
Cuida do jardim, a princesa
E da princesa, o jardim.
Enquanto gela a veia,
E se evaporam as palavras
A testa se incendeia
A coragem se desfaz.
Gagueja a idéia
É falida a sensatez.
Cavaleiro sem paz
Em uma guerra perdida,
Perdido, sem voz.
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